sábado, 24 de setembro de 2016

Um papo sobre portas- 1

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Porque, às vezes, tudo o que passa por nossa cabeça o tempo todo é irmos embora. Irmos antes que esse grande navio afunde de vez e nós padeçamos com ele...

É essa a sensação em algumas vezes, não é? Que precisamos ir embora. Desesperadamente, inconscientemente, loucamente. Que tudo o que precisamos é sair daqui. E se sairmos todos os problemas se resolverão magicamente por si sós. 

Alguém uma vez me disse que eu não podia fugir, não importava o quanto eu tentasse. A pessoa falou isso de uma forma um tanto depressiva, por assim dizer. E eu não entendi o que aquilo realmente significava. Só fiquei mais desesperada. Então eu nunca poderei ir? Isso sempre vai ser a minha realidade? 

Um pouco depois outra pessoa me explicou. Dessa vez com um pouco mais de coesão. A pessoa me disse que eu deveria ter uma razão para querer tanto aquilo. E, dependendo das razões--viajar, me mudar, pular de paraquedas--não ia adiantar fazer nada disso, porque o problema estava em mim, não no lugar.Mas essa não é o ponto da história em que quero chegar. A questão é: mas e quando o problema não está em nós? Ou quando é uma mistura dos dois? Quando sentimos que a única maneira de nos salvarmos é sair do barco enquanto ainda é tempo (cada um por sí!)? 

As pessoas, não importa aonde formos, ainda tem uma noção de páreas sociais. Párea: a pessoa que foge de uma luta. Não é engraçado como todos preferem morrer juntos do que deixar que apenas um se salve? Ou como as pessoas que conseguem se salvar as vezes nem olham para trás e veem que talvez poderiam ter salvo outro alguém? Não, não estou dando minha opinião. Só levantei reflexões e mostrei a dualidade. É como o 9 e o 6: se você mudar de lado vai ver outro número, outra visão de tudo.

Eu acredito que as pessoas fiquem em um lugar por dois motivos: o primeiro é ele ser tão bom que elas não querem sair de lá e o segundo é ele ser tão rígido que elas não possam sair de lá. O que estamos vivendo hoje em dia? Vivemos em uma grande dualidade, que no seu final tem uma pequena porta preta e branca. A porta podemos dizer que é a salvação, a saída. Podemos não saber o que tem depois dela, mas sabemos que é diferente do que temos ao nosso redor. 

Não são todas as pessoas hoje em dia que podem ver a porta branca e preta, são? Como veremos alguma coisa se nos criaram para sermos cegos? Ignorantes? É capaz de acreditarmos nossa vida inteira que aqui é realmente o paraíso, e que ele deve ser exatamente assim. Cegueira. Há também os desafortunados que sabem o que é a porta preta e branca, mas que estão presos e não podem ir até ela. De uma forma ou de outra, a ignorância nos prende. E entre a ignorância e a clareza há uma linha tênue.  

Alguns conseguem perceber os motivos que tão poucos, incluindo eles mesmos, ter a opção da porta. Alguns tem livre acesso a ela, e não pensam em levar mais ninguém. Mas não estariam essas pessoas cegas também? Porque foram criadas ao lado da porta, com a chave dela nas mãos, e não conseguem (e talvez nem queiram) imaginar como é não ter-la. 

Por que vivemos em uma sociedade onde a chave é entrega a tão poucos? Onde grande parte não tem a opção de ficar por gostar do lugar? Não tem nem a chance de conhecer as partes do lugar onde há beleza, e a vida não é infernal, e de decidir se quer ficar ali por amor? Por que nos cegam os olhos? Por que não nos dão oportunidade? Por que fingem que não ouvem nossos gritos?

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E nós, as pessoas que vivemos desse lado da porta--perto ou longe dela--o que podemos fazer? Melhor, o que fazemos? Eu vejo as pessoas se pisarem e se humilharem mutuamente, descontando as frustrações feitas pelos outros em outros. Eu vejo a ganância, a fome, e várias corridas até a porta onde não existem regras, apenas o prêmio de santificação do ganhador. Mas também vejo bondade, potencial. Vejo pessoas que vivem perto da porta olhar para longe e tentar entender, vejo pessoas de longe quererem sair do inferno; conhecer. Vejo pessoas que tentam ensinar coisas as outras. Mas vejo que não são tantas quando precisamos. 

Então, por que nós não nos transformamos em uma dessas pessoas? Por que nós não olhamos para quem está do nosso lado, não apenas a quem nos convêm, e o ajudamos? Não importa se gritarmos a plenos pulmões para o mundo que todos merecem a chave se não mostrarmos a quem não vê que eles também merecem ter isso. Que não deveria ser uma utopia, e sim uma realidade. Por que não ensinamos para que assim ambos possam gritar juntos, conscientes?  

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

Acho que estou em casa... E Incrível !

Uma das viagens mais marcante na minha vida ,  foi minha ida para foz do Iguaçu , na primeira vez que fui  já percebi que lá ia ser meu lugar favorito no mundo , o lugar onde sempre irei querer voltar quando meu coração estiver uma bagunça , e meu corpo e mente estiverem cansados , cheio e sobrecarregado. Dizem que o amor e como andar de bicicleta tem seus altos e baixos  , porém para mim eu quero que seja como esse lugar eu acredito que o amor deva ser assim , que nos transmita paz , calma, felicidade , um lugar(pessoa) onde a gente queira ir quando estiver sobrecarregada , eu não quero um amor que só me transmita paixão ou seja, nervosismo , coração acelerado e preocupações .Esse lugar foi como esse amor que anseio em ter , um lugar onde me fez ter outra visão do mundo ,onde eu realmente me senti feliz e completa , eu fiquei num hotel chamado fenice ele é maravilhoso , o pão de queijo que comi lá foi como comer uma bola grudenta de felicidade. Um dia eu estava conversando com uma amiga ,e ela perguntou para quais lugares queria ir e eu  disse , quero muito ir para Nova York , Orlando ,Japão , Coreia dentre muitos outros lugares porém Foz vai ser o lugar onde sempre quero voltar e como, se eu pertencesse a aquele lugar . O que eu tenho a lhe dizer e que você precisa encontrar um lugar onde você queira ir , sempre que se sentir destruída cansada de tudo e todos ,vai lhe acolher e te fazer sentir completa ,você poderá ir a este lugar e simplesmente deixar tudo de ruim para trás e se sentir renovada , eu encontrei meu lugar no mundo e você?.
Foz do Iguaçu e um lugar lindo , as cataratas , tudo maravilhoso e tão incrível o quão lindo e o mundo , a única coisa cansativa são as escadas (Risos) sou uma pessoa preguiçosa e a vida ninguém e perfeito.

-Lelly Anjos

quinta-feira, 22 de setembro de 2016

O Livro do Bem- Resenha

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 Os livros do bem é um projeto bem interessante. É feito pelo pessoal da página do facebook "Indiretas do Bem", que é bem criativa e simples: "distribua um elogio ao invés de uma crítica, não faz mal". Essa é a ideia principal da página, e esse é uma parte do projeto dos livros. 

O primeiro a ser lançado foi o de capa azulzinha, o "Coisa Para Você Fazer e Deixar Seu Dia Mais Feliz". Ele é cheio de atividades, receitas, playlist, perguntas para você fazer a você mesmo e coisas para você fazer com os outros. Tem perguntas que você pode responder mais de uma vez, até. 

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E por aí se vai...

Conta com um gama de frases encorajadoras e um bocado de "wanderlust". Aí, pra ter ainda mais de "wanderlust", surgiu o segundo livro. O segundo tem como principal objetivo "Se aventurar e ver o mundo com outros olhos". Esse é ainda melhor que o primeiro, na minha opinião. As frases, as perguntas, as atividades, todas elas são mais para "abrir seus olhos" e sua mente aventureira. 

Não tem ordem, você pode responder qualquer um dos dois sem ter respondido nem visto o outro, eles são independentes. Eles são baratinhos e fáceis de achar em qualquer livraria. Eu fiz uma pesquisa de preços e notei que o segundo é um pouquinho mais caro que o primeiro. Enquanto o primeiro se acha entre R$ 17,00 e R$ 25,00 o segundo se acha entre R$ 18,00 e R$ 29,00. Coloquei o site onde os preços estavam mais lights.  

Onde comprar o primeiro?
Livraria Cultura
Livraria Saraiva
Amazon

Onde comprar o segundo?
Amazon
Submarino
Livraria da Travessa

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20 segundos de uma loucura insana- Parte 2



Sendo que nós temos o controle sobre nossa própria vida, como dito anteriormente, vamos ao ponto culminante da nossa saga: por que não fazemos coisas que queríamos fazer?

Às vezes queremos algo mais do que qualquer coisa. Queremos que aquilo aconteça, e ansiamos quando vemos que está quase nas nossas mãos, a um palmo de distância. Então começamos a achar que " a vida" brinca conosco e tira a coisa de perto, traz pra perto, não traz mais. Ficamos insatisfeito e decepcionados, tristes. Pensamos bastante no que poderíamos ter feito para que aquilo tivesse acontecido, e de repente, achávamos uma solução muito simples.

Por que a maioria de nós tem essa tendência a colocar todo seu poder de escolha em coisas que não escolhem? Por exemplo, a ideia de vida.  A ideia de vida que você tem não vai fazer escolhas por você, porque a vida é você. O que está fora de você é apenas uma pequena parte, e ela não pode movimentar você. Em síntese: os outros não conseguem fazer mais por você do que você mesma. 

Nossas tendências procrastinadoras nos leva a "empurrar com a barriga" toda a nossa vida, deixando as principais decisões para que outros façam por nós ou que elas se "resolvam ao longo do tempo". Quando vemos, não sabemos onde estamos ou quem somos ou onde nosso verdadeiro eu ficou no meio do caminho. Foi ao escolher aquele curso que eu não queria ter feito? Foi ao não ter dito aquelas palavras? Foi ao ter falado demais coisas que eu não sentia?

Eu diria que foi quando você se negou novidades. Acredito que, no fundo, no fundo, é isso que sempre procuramos/ precisamos. Precisamos conhecer novas coisas, ter dias diferentes, fazer coisas que nunca fizemos para crescer, mudar. E mudar não é algo ruim. 

Por que ficamos tão bem quando "enlouquecemos" e fazemos algo que nunca pensaríamos em fazer antes? Ficamos sem saber o que fazer com aquele desejo recém descoberto de querer ter feito aquilo a mais tempo, não sabemos o que fazer com as sensações que se seguem, e nem com as consequências, às vezes. Às vezes passamos tanto tempo sendo outras pessoas que esquecemos como é ser nós mesmos. E, às vezes, tudo o que precisamos são vinte segundos de uma loucura insana por dia.

Como assim? Como isso ajudaria? Simples: a "loucura" a que me refiro é sair das amarras, das prisões do mundo que os outros querem que você viva. É, aos poucos, voltar a ter o total controle da sua vida, de um modo que esses vinte segundos não pareçam mais de loucura e sim passem a ser vinte e quatro horas de decisão. Suas decisões. 

Alguém recomendou esse "desafio" pra mim um tempo atrás, e eu aceitei. Eu deveria ter vinte segundos de uma loucura insana por dia, todos os dias. Fazer coisas que eu nunca tinha feito antes e nunca tinha tido coragem de fazer. Eu continuo com esse desafio até hoje. Com ele eu já fiz muita coisa. Eu ainda chamo isso de loucura, às vezes. Às vezes eu penso "eu fiz mesmo isso?". E, se quer saber, fico bem orgulhosa. Eu sinto que estou um pouco menos acomodada que a maioria da sociedade, sinto que tenho as rédeas da minha vida, que posso fazer algo por mim, basta eu querer. E nesses vinte já foram pedidos, mensagens, atos, objetos, lugares, sorrisos e descaramentos. Tudo feito por mim. 

Às vezes você até percebe que pode parecer algo simples, como alguém pedindo que você experimente uma comida, e você já está prestes a negar, falando que não quer, e achando esse comodismo de não querer provar diferenças muito comum, quando se depara que não é. Quando se depara com o "por que não fazer isso?" e faz. Em menos de vinte segundos você tomou decisões que afetaram tanto seu físico quando o psicológico, que teve consequências, que te transformou, que fez co que você saísse do comodismo e empurrasse um pouco menos com a barriga. Algo que trouxe sensações novas, emoções novas. Eu digo que vale muito, muito a pena. 

Então, experimente, tente, ache louco, mas faça, se é o que quer. Se é o que te fará feliz e te fará melhor. Isso não significa se entregar a vícios que te deixaram ainda mais acorrentado, mas se entregar à coragem de tomar suas próprias decisões, e às vezes, a coragem vai ser em dizer um "não". Não importa se sendo ele para os outros ou para você mesmo. 

"Viva corajosamente, vá em frente, não se acomode. Apenas viva bem. Apenas viva."--Me Before You

terça-feira, 20 de setembro de 2016

20 segundos de uma loucura insana- Parte 1



Às vezes, tudo o que esperamos é algo aconteça nas nossas vidas, nos leve para lugares diferente, aconteçam coisas diferentes, fiquemos diferentes e que as pessoas nos vejam diferentes. Que miraculosamente tudo mude de cor, nós tenhamos nosso valor reconhecido, a promoção, isso, aquilo, blá, blá, blá. Quantas vezes por dia não colocamos a culpa de nossas inseguranças, tristezas e instabilidades nas mãos de outras pessoas? É muito mais fácil culpar outra pessoa do que se reconhecer responsável da própria vida, não é?

"Ah, mais eu preciso que a outra pessoa faça aquilo para que eu..." Tá, sim, certas coisas não estão no seu controlo, como exemplo, se vai chover ou fazer sol, se o seu chefe vai estar de bom humor, se a Alemanha fez parte da guerra...mas você sempre pode ter o controle das suas atitudes e seu modo de ver as coisas diante disso. Sempre. Você que decide,entende? Tudo ao seu redor no fim é você que decide. 

Então, se você se deixou levar pelo humor do seu chefe, ligou para aquele comentário maldoso sobre sua aparência (porque sabemos que algumas pessoas não são lá muito boas), deixou que a chuva fizesse do seu dia ruim, foi decisão sua. 

Entender esse conceito é algo bastante difícil no início. Acaba envolvendo o ego e toda essa nossa tendência orgulhosa. Você se sente invadido, ferido, etc. A questão é: e se você trabalhar em você para não se sentir assim? Se você trabalhar suas concepções (e não só finja fazer isso) para que a atitude dos outros seja apenas como...sei lá...uma folha caída no chão? Algo sem importância, que você escolhe pegar se quiser. E se começarmos a reparar que o grande fator que influência nossa vida é nós mesmos? Nós escolhemos ficar de mau humor, tristes, com raiva. Claro que temos uma série de fatores que acabam fazendo com que alguns de nós sejam pré-dispostos a isso, e cada um tem um nível de dificuldade maior de fazer isso. E claro também que algumas situações envolvendo isso são mil vezes mais complicadas, mas estamos falando de atitudes simples do dia a dia agora. Estamos falando de você se responsabilizar da sua própria vida. 

Como? Parando de achar que o que é vida é o que está fora de você. Que você na verdade não tem o controle de quem você é, ou das suas emoções, do seu emprego, do seu dia. Sim, em alto grau, você tem. Você escolhe cada pequena mudança em si mesmo, mesmo que de maneira inconsciente, você decidi ter medo de se aventurar foras dos limites que você conhece, você decide se deixa ou não a opinião dos outros e as inseguras deles afetarem sua vida, você escolhe como reagir. Você, você, você!!

Não vejamos isso como algo ruim, muito pelo contrário. O que antes dizia que nós tínhamos que ir com a maré e esperar que a vida nos desse algo hoje diz que nós podemos nos dar algo sem precisar de mais nada. É como levar um tapa e perceber que você sempre teve independência bem de frente pra sua cara. É só assumirmos a responsabilidade. Assumindo que apenas nós temos a maior influência em nossas escolhas e meios de vida, fica mais fácil fazer qualquer coisa. Nós decidimos como reagimos a isso, lembre-se. E isso é em todos os lados e consequências de suas escolhas. Se você bater em alguém, você escolheu fazer aquilo, e terá consequências, e você escolherá como lidar com elas, se você largar o emprego, terá consequências, e você escolherá como lidar com elas. 

Esses dois exemplos sem bem distintos, mas tem a mesma base. As pessoas tendem a olhar como se "consequência" fosse algo negativo. Não. Consequência é apenas consequência. Não significa que largar seu emprego que você odeia vai arruinar ainda mais sua vida. Isso terá consequências, e você poderá inovar e decidir o que faz com a sua vida agora. Você vai a procura de outro? Vai ter que se apertar mais um pouquinho? Quer viajar? Cantar no metrô? Fazer algo de canto?...Isso é em todas as situações da nossa vida. 

Se pararmos de achar tanto ou mentir tanto para nós mesmos que a nossa vida é o conjunto de escolhas de outra pessoa e não temos em nada o controle dela, vamos apenas nos perder aos poucos e ser uma dessas pessoas que acordam e ficam até a noite no automático, com um cônjuge automático, filhos automáticos em um trabalho automático. Em um estado que até deixemos de ter emoções; automático. 

Aí vem uma proposta... 

 

segunda-feira, 19 de setembro de 2016

Resenha: Queria Ter Ficado Mais

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     "Queria Ter Ficado Mais" é extremamente interessante para quem gosta de ler sobre viagens ( ou para um leitor que goste de livros impressos de maneira diferente). Então você pergunta: cadê o livro? O livro é esse bloquinho cheio de cartas que vocês está vendo aí em cima. Isso mesmo. Que ideia criativa imprimir um livro dividindo seu conteúdo em várias cartas, não? 
    O livro é um projeto feito por Luciana Martins e a ilustradora Eva Uviedo. Reúnem-se nele 12 cartas escritas por diferentes pessoas (nomes que você pode ter ouvido falar) em diferentes lugares do mundo. Marcam presença a Ásia, Europa, África, América do Sul, entre outras. Cada história sendo um relato pessoal dos viajantes. 
    É um livro apaixonante, porque cada carta contem um tom de escrita muito único. Aqui vemos não só a diversidade cultural, mas a individual. Os tons da escrita vão do romântico ao profissional, passando pelo familiar. Ou seja, além de serem lugares diferentes, as histórias sobre eles podem ser contadas por mil cabeças diferentes, porque cada uma será sempre única. 
    Um livro que faz você rir, ser tocado e, principalmente, querer estar lá. Não tem como não querer viajar e conhecer outras culturas depois desse livro. Não tem como não querer viver uma aventura como a dessas escritoras.
    O livro é nacional (por isso recomendo ainda mais, para incentivar a leitura à nossa literatura) e as escritoras (todas mulheres brasileiras ou que fizeram uma parte da carreira aqui) são principalmente jornalistas. 
     O designer do livro é muito bonito, tendo no verso de cada carta uma ilustração maravilhosa da Eva e na frente o destino e a escritora. As páginas vem soltas, realmente como uma carta. Só o que faz o livro não parecer tanto uma carta é o tom impessoal para com os leitores. Você ainda tem a concepção livro/leitor, porque as cartas não são dirigidas a ninguém em particular. Isso torna o relato um pouco distante, mas não impede que você também se sinta naqueles lugares, acompanhando aquelas pessoas enquanto elas vivem aqueles momentos. 
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     Pontos negativos:
* Todas as escritoras são pessoas de "nome". Eu senti falta de um relato de um viajante "qualquer" pra tornar tudo um pouco mais pessoal.
*As cartas perdem um pouco o tom de uma correspondência, já que não se dirigem a ninguém. Parecem os pequenos contos que são, e não cartas.
* O preço é um pouco "salgado" na maioria dos lugares. 

Pontos positivos:
*Lugares do qual provavelmente você nunca ouviu falar. Cidadezinhas distantes no fim do mundo provam que não precisa ser um lugar extremamente conhecido nem com mil pontos turísticos marcados para ser incrível.
* Os relatos tem sentimento. (Destaque aqui para a carta "Israel/Cisjordânia", que fala da guerra entre os israelenses e palestino no Oriente Médio. Um relato bastante tocante.) Não não apenas histórias avulsas, são histórias de momentos marcantes para aquelas pessoas, que já fizeram inúmeras outras viagens mas mesmo assim escreveram sobre aquela.  

As escritoras: Olívia Fraga, Luciana Breda, Lívia Aguiar, Ligia Braslauskas, Isis Gabriel, Florencia Escudero, Clara Vanali, Clara Averbuck, Cecilia Arbolave, Cecília Araújo, Bruna Tiussu, Barbara Heckler.


Onde comprar:
Loja da editora
Livraria Cultura

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Com um charme desse não tem como não querer dar pelo menos uma olhada, não é? Super recomendo!

Por: I.L

domingo, 18 de setembro de 2016

Wanderlust- O que nos faz viajar?

    “Wanderlust, ou em português, "desejo de viajar", é um termo que descreve uma forte vontade de caminhar, de ir a qualquer lugar, em uma caminhada que possa levar ao desconhecido, a algo novo, de viajar.” –Wikipédia

     Me deparei com esse termo uns meses atrás, e achei muito interessante. Como que por acaso, essa palavrinha entrou outra vez na minha frente (lê-se: destino). Fiquei “matutando” por horas. De onde vem isso? Toda essa vontade, esse desejo, paixão? Qual a força por traz de tudo isso?

    Perguntei ao nosso caro “professor Google” se ele tinha uma resposta. Não foi muito satisfatório. Apesar de termos uma teoria científica que fala que temos um “gene da aventura” chamado DRD4- 7R e que ele estaria ligado a características dos neandertais, tendo maior prevalência em civilizações  distantes da África (lembrando que foi na África a suposta origem da humanidade) e em povos nômades, o que é bem interessante, isso não saciou minha sede. Às vezes o que queremos é uma resposta mais poética. Se bem que podemos misturar as duas coisas, não?

     Desde que o mundo é mundo existem os pioneiros, os inovadores. Aquelas pessoas que não se contentam com o que lhes dizem, nem com o que ouvem, veem, etc. São as que querem descobrir coisas (mesmo as coisas que aparentemente já tem explicação) por si próprios. Vamos nos concentrar em um desses tipos: os viajantes. O meu tipo favorito de apaixonados insaciáveis. As pessoas que sentem uma necessidade quase física de explorar, conhecer, ou que estão à espera de algo novo. Todos eles tem mil motivações diferentes. Alguns precisam provar teorias a si mesmos ou a outros, alguns precisam de uma paisagem diferente do cotidiano cômodo, alguns querem descobrir, outros, se redescobrir.

      Por aí eu já poderia responder minha pergunta, não é mesmo? Mas eu gostaria de cavar um pouco mais, como futura arqueóloga que sou. Me arriscaria a dizer que o que nos faz viajar é a sensação de desejo. Pode parecer simples, mas é muito mais complexo do que imaginamos.

“Em filosofia, o desejo é uma tensão em direção a um fim considerado pela pessoa que deseja como uma fonte de satisfação. É uma tendência algumas vezes consciente, outras vezes inconsciente ou reprimida. Quando consciente, o desejo é uma atitude mental que acompanha a representação do fim esperado, o qual é o conteúdo mental relativo à mesma. Enquanto elemento apetitivo, o desejo se distingue da necessidade fisiológica ou psicológica que o acompanha por ser o elemento afetivo do respectivo estado fisiológico ou psicológico.”—Wikipédia


     Desejo é o que pedimos que nos mova, movimento é o que precisamos para nos manter vivos. Desejo é o que vai definir se alguém quer viver ou existir. Desejo é uma sensação profunda, proveniente do íntimo de várias partes de nós. Uma delas podemos chamar de “alma” ou “eu interior”. Nesse caso, esse seria o tipo de sensação que a pessoa que realmente somos nos fala do que realmente queremos. E ele se permite ser causado por uma série de fatores singulares em nós. Quem nós somos, o que queremos, no final de tudo precisa de uma de uma razão de ser. O “porquê” dos nossos desejos revelam quem somos, revelam o que queremos descobrir, ser. Pensando desse jeito eu vejo que poderia obter uma gama de respostas. Então, o que te faz viajar?

Por I.L.